28 janeiro 2008

É já noite dentro, gosto destas horas, especialmente das madrugadas, gosto de ouvir as pessoas a acordar, quando eu ainda não me recostei para descansar sequer, é nestas alturas que mais inspirada ando, é nestas alturas que melhor me sei exprimir. Gosto, gosto disto tudo, gosto de saber que dormes sossegado, gosto de te saber ali ao lado em paz, sereno, à espera que a noite de sono te encha de energia para o dia seguinte, e tão desanimadores que andam estes últimos dias... Gosto sobretudo de me sentir segura de mim, aqui, como se uma entidade superior, que está disperta enquanto a cidade toda baixa as defesas e deixa o que de mais sombrio existe vir ao de cima, enquanto nós aqui, protegidos da noite, deixamos que a Lua lentamente percorra o seu caminho, enquanto eu escrevo, enquanto tu dormes.

É incrível como a rotina pode aniquiliar alguém, as pessoas sem se aperceberem são anuladas pela azáfama do dia-a-dia, e por mais que isso nos seja óbvio, só quando embarcamos neste outro tempo, que também nos pertence, é que percebemos a dimensão disto tudo. Antes tantos sonhos, tantos objectivos, tantas projecções fizemos a estas mesmas horas, e agora... Será que é por estas horas não nos pertencerem mais que deixamos que os braços descaiam ao longo do tronco, e com isso nos arraste para baixo?

Realmente é preciso estar acordado a estas horas... Agora vejo como tenho andado desatenta dos meus próprios desejos, do meu futuro. Desatenta mesmo das dores dos meus amigos, desatenta das minhas próprias dores... desatenta do bom que é empenharmo-nos por algo novo, empenharmo-nos com algo novo, melhor ainda empenharmo-nos connosco.

Não quero deixar de sonhar, não quero jamais deixar de concretizar os meus sonhos.

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