Não terá sido uma acusação, bem, na verdade o tom não foi acusatório, mas como já fui acusada de tanta coisa, uma pessoa fica receosa, de pé atrás. Coisa que na verdade também não estava e também não fiquei. Confesso... que por 5 minutos pensei que não fosse ser pacífico, mas como eu tenho o dom, ou talvez não seja apenas um dom, de desligar... deixei que esse sentimento sobressaltado passasse por mim, para depois poder agir plena dos meus movimentos. E lá fui de coração aberto, passível de se encher com o que quer que acontecesse, na verdade não haveria muito azar, o tempo era limitado, as acções praticamente programadas, por mais que a coisa azedasse, por mais que decidissem realmente acusar-me, não teriam grande oportunidade... mas também não pensei na altura que o fizessem, só agora me passou pela cabeça no exacto momento em que começo este texto. Afirmei-o aliás, e repito-o. Não terá sido uma acusação.
Mas foi ali, no instante preciso em que nos separamos que a coisa veio ao de cima, saiu... Saiu-lhe da boca, não sei se estaria por ali há algum tempo, a roçar a língua, já em breve comichão com o céu da boca. Mas a verdade é que saíu... assim, de repente, quase do nada. Num assunto sobre os outros, sobre elas e os outros. E assim... enquanto atravessava a rua, naquele passo meio acelarado, meio saltitante, aquilo embateu em mim com uma velocidade indescritível. Não terá sido uma acusação. Sei-o. Foi uma comparação, mas porquê? Porquê ali na despedida, porquê ali quando a minha atenção para chegar ao outro lado estava depositada na falha entre o trânsito que estava para a acontecer... Parei, foram milésimos de segundos... Mas deu para que o choque se desse, o coração se enchesse e ficasse ali rotulada no meio da estrada como a pessoa mais ZEN que conhecem... Ahhh... Foi uma acusação!
Pelo menos terá sido uma coincidência, ou o meu nick não seria o que é, mas para quem desconhece, Yin Zhen é um chá... raro.
Há 5 semanas
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