02 junho 2008

Leva o passar do tempo a que as memórias assentem, e se consiga discernir de entre elas, o que faz ainda parte do imaginário passado e de um imaginário inventado, as memórias sobre o vivido têm agora que passar a ser escritas para que comecem a ser reais.

É já tempo de falar, escrever, reviver Londres, mas enquanto trabalho num horário completamente fora de horas, antes de um euro que promete fazer vibrar corações, passo por aqui e lembro que...

Londres... Não se desfez o encanto, por tantos recantos, tanta agitação, tanto tempo para lá estar, as tardes passam de café em café, e talvez um dos melhores sítios seria o bar do Tate Modern, se não existissem tantos outros espaços mais. Londres é a da garrafa de vinho a acompanhar uma conversa serena, Londres são os bairros de dia vazios, as ruas de noite cheias, fiquei tão deslumbrada com Londres, com os vários mundos dentro de um só. Portobello market remete-nos para um local costeiro italiano, onde regatear é uma arte... e os outros mercados, escondidos debaixo de pontes, ou plantados a transbordar o limite do possível. Jardins onde se paga para estar sentado numa cadeira de pano, mas não se paga nada para se falar o que se quer a toda a gente. Jardins onde é proibido alimentar os patos, mas não é proibido fazer fogueiras. Londres é a dos museus abertos onde não se pode estar ao telemóvel, mas se pode entrar com mochila de inter-rail, e se pode tocar nos objectos egípcios, etruscos, e demais com os dedos. Londres é contraditória, e faz sentir diferente. Mas Londres, certamente, é para voltar.

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