16 outubro 2008

Geração recibos verdes (ou moderna)

Há uns dias o meu colega de trabalho fez anos, é o mais novinho do grupo, e cada vez que ele confirmava a idade que tinha, quem o felicitava deixava uma pergunta em tom de suspiro no ar, Onde estava eu com essa idade... Ao que todos mais ou menos dissemos o que mais nos marcou, coincidentemente vários com essa idade casaram-se, o que rapidamente se tornou numa piada a convencer o meu colega que este ano é que tinha que ser. Alguém tinha que lançar o achómetro: "Acho que devias viver junto por uns tempos primeiro, a ver se dá".

Épah epah epah.

Não tenho nada contra quem se junte, não tenho nada contra às pessoas que decidem juntar os trapinhos sem irem ao cartório, ou sem se confessarem a um padre. Tenho que deixar isso bem explícito, porque tenho imensos casais amigos, nessa situação, que eu prezo muito e por quem tenho a maior consideração, talvez também porque nunca me disseram que estavam a ver se dava.

Mas agora esta coisa de viver junto a ver se dá?!? As intenções não são as mesmas?! A seriedade (cá está ela em falta mais uma vez) não é a mesma? A vontade é menos digna? Não gozem com a minha cara. Sei que os divórcios são processos complicadíssimos, morosos e onde por vezes o pior das pessoas vem ao de cima, em género de vingança, em género de desforra, mas nisto como em tudo na vida, há que nos acautelarmos, mas não com certeza com um a ver se dá.
Um casamento, ajuntamento ou "amancebamento" pode dar para o torto, e pode muito bem resultar num divórcio ou separação. O que eu quero dizer é que nisto de se viver, viver só por si, é difícil, e que não há nada nesta vida, nada, que não custe, o melhor é enfrentar, e endurecer com as nossas cabeçadas do que entrar neste jogo com a certeza que podemos sair dele assim que nos estiver a cansar ou quando se tornar demasiado chato. Mas a verdade, é que isto não deixa de ser possível, nós podemos sempre sair. mas ao menos que essa não seja a opção mais fácil.

Esta geração moderna que se junta a ver se dá, surge com a moda dos recibos verdes, pois eu acho que um a ver se dá, não é mais que um recibo verde. Parece que não há compromisso, a responsabilidade é nula e consequentemente a estabilidade diminui, a probabilidade de a pessoa sair ( ou ser dispensada) é maior, afinal, estivemos só a ver se dava.

Quando duas pessoas se juntam, seja em que condições for, espero que tenham em atenção, que não há qualquer omissão de contrato que nos garanta amor e respeito. Temos que ser mais confiantes, nas nossas escolhas sobretudo.

2 comentários:

Maçã e Canela disse...

As pessoas vivem as relações com a pressa de mudar, de que noutro lugar serão mais felizes, não dão o devido valor ao esforço que todos os dias se emprega em ajudar, partilhar, construir, no amor, nas relações a dois, nas amizades e sim, no trabalho, em que o reconhecimento é coisa do passado, como as relações de compromisso.

Bom dia, ainda encontro, uma réstia de esperança nos que comigo partilham a vida...em ti claro.

Yin Zhen disse...

É incrivel como vivemos a mudança, e como nos ajustamos a ela, quando nada se tinha e conquistar era a palavra, as pessoas uniam-se mais. Agora vivemos numa época em que temos tudo, e no entanto faltam-nos algumas certezas... mesmo as existênciais.