05 novembro 2008

Livros é coisa que anda aos pontapés cá por casa, ainda assim acho que não tenho os suficientes nem sequer aqueles que considero fundamentais, há os livros que devem ser lidos, e os que têm que ser, e ainda que forte é esta a palavra, possuídos. para mim um livro é mais do que a palavra escrita, a ideia materializada ou o conceito acessível, um livro é também uma forma, um objecto, um objecto de adoração, uma espécie, se bem que a um nível diferente, de decoração.
Dizem que um livro morre na vertical, entalado entre outros numa prateleira, não será bem por isso que cá por casa andam espalhados, em monte, pelas várias divisões. Eles andam por aqui porque simplesmente não morrem... a nossa eterna consulta a frases, ideias, memórias, leva a que esta desarrumação (seria-o se tivéssemos onde os "arrumar") não tenha princípio nem fim. É. Existe, tal como eles, tal como os livros.
De há uns dez anos para cá vivo em pavor de não conseguir ler ou assimilar tudo o que já foi escrito, nas áreas que obviamente me interessam, em dúvida sobre que obra comprar, enquanto conto os tostões no fundo da carteira caio no erro sistemático de comprar compilações de autores que considero fundamentais, depois quando finalmente consigo completar tal e tal colecção essas sim, acabam por permanecer intactas, nos seus pedestais, no seu estatuto de obra completa, de encadernação a vermelho com letras em baixo relevo dourado. Consulto-as esporadicamente porque as compilações acabam por servir de sebenta, cheias e cheias de anotações.
A escrita sobre política é coisa que não me fascina, ainda que assuma que a encontro entranhada em tudo o que leio, e é das primeiras e das mais fáceis associações que se faz de uma obra, seja ela um romance de cordel, seja ela um ensaio sobre a morte prematura das libelinhas.
Mas isto tudo porque no dia em que adquirimos um livro sobre cultura escrita desde os primórdios da mesma, adquirimos também o já bestseller A minha Herança, de Barack Obama. E se por um lado a política não me tira horas de sono, por outro, e talvez pelo envolvimento que todos sentimos nesta election night watch (é impossível não adorar o termo) despoletado por um crescendo entusiasmo ao longo da campanha Norte Americana McCain (para mim nome de batata frita congelada) Vs Obama, confesso que não resisti a procurar nas pilhas que me envolvem, o livro que lerei a seguir.
Simone... vais ter esperar, mas confesso que já não espero encontrar A Convidada.
Tenho uma fotografia sua com Sartre ali no meio de uma biografia já lida de Che...
Afinal parece que se não me entusiasmo por política pura, acabo sempre por cair na sua parte mais novelesca, as biografias... Lá chegaremos.

1 comentário:

PG disse...

Ler é uma forma de nos tornarmos cultos, ou "apenas mais" cultos, através da aquisição de conhecimento pelas experiências do escritor, sejam essas experiências de que tipo forem. No entanto, às vezes, é preciso pegar numa folha em branco e dizer "Yes, I can!" BO. Não será uma verdadeira folha em branco, será uma folha que aguarda pelo despejar de todo o conhecimento adquirido e, a este, acrescentamos o nosso querer, as nossas convicções e porque não, todas as nossas paixões.

Yes you can! Even if it's started from the scratch!